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Agora é Copa do Mundo

  • há 1 hora
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O futebol é o esporte mais popular do planeta. Não há uma explicação satisfatória para compreender esse fenômeno, exceto o fato de que o jogo de bola nasceu junto com a urbanização e a indústria, com os primeiros direitos trabalhistas e a liberação de um tempo remunerado para não fazer nada.


Ao mesmo tempo, a desagregação das comunidades rurais e a fragmentação da vida nos centros urbanos cada vez maiores, criou a necessidade de estar filiado a algo que fosse além da família nuclear, algo pelo qual valesse associar a vida pública e que não fosse a pachorrenta política.


Assim, os primeiros clubes de futebol nasceram em torno das fábricas e das vilas operárias (daí times como Arsenal, Bayer Leverkusen, Wolfsburg, nascido dentro do complexo da Volkswagen, Manchester United, originalmente chamado de Newton Heath LYR, criado por funcionários da ferrovia Lancashire and Yorkshire Railway , PSV, fundado pela empresa de eletrônicos Philips para oferecer opções de lazer aos seus funcionários, ou, entre nós, o Operário Futebol Clube, a Ferroviária de Araraquara, ou o Internacional, numa alusão ao hino da Internacional Socialista, o que também explica a camisa vermelha, além de diversos clubes identitários (o Palmeiras e o Cruzeiro, por exemplo, nasceram de clubes de migrantes italianos e se chamavam inicialmente Palestra Itália).


Aos poucos , o futebol foi superando todos os esportes populares, como as regatas, as corridas de cavalo, o boxe, tornando-se o espetáculo das multidões.


O Brasil é o maior recordista das Copas do Mundo, nascida no longínquo ano de 1930, aqui no Uruguai. Participamos de todas as vinte e duas edições, chegando em sete finais e ganhando cinco vezes. Ou seja, uma em cada três edições, estivemos no último jogo. E ainda tivemos dois terceiros lugares (em 1938 e 1978) e um “terrível" quarto lugar, em 2014.


Somos a única seleção vencedora em todos os continentes nos quais a Copa foi realizada: Europa (1958), América do Sul (1962), América do Norte (1970, 1994) e Ásia (2002). O único atleta de futebol a vencer três Copas como jogador foi Pelé. Zagalo venceu 4: duas como jogador, uma como técnico e outra como auxiliar técnico.


Ninguém venceu mais jogos ou fez mais gols em Copas do que nós. Ronaldo Nazário é o vice artilheiro de todas as Copas: fez 15 gols. Jairzinho, o “furação" de 70, é até hoje o único atleta que fez gols em todos os jogos de uma edição de Copa do mundo.


Ou seja, somos os melhores no mais popular esporte do planeta. Todas as finais da UEFA Champions League, o mais importante torneio de futebol de clubes do mundo, desde 1999, tem pelo menos um brasileiro jogando como titular.


No entanto… nunca acreditamos na nossa seleção. Todos os escretes saíram do Brasil desacreditados, mesmo o esquadrão de 1970. Nas duas vezes que fizemos a Copa aqui, então, deu no que deu: o trauma do Maracanazo, em 1950, diante de duzentas mil pessoas, e o 7 a 1 no Mineirão, no dia 8 de julho de 2014. Como somos 213 milhões de técnicos, nosso esquema tático, lista de convocados, escolha de titulares nunca bate com a escalação oficial. Costumamos anunciar o resultado antes dos jogos: perderemos. Daremos vexame. Também, com esse time!


Até que ocorre de ganharmos. Daí lavamos a alma, batemos no peito em jactâncias exageradas. E depois recomeçamos as críticas. Ah, se fôssemos ingleses, que desde a polêmica Copa de 1966 não ganharam mais nada! Ou se fôssemos holandeses, três vezes vice-campeã e nenhuma Copa pra chamar de sua. Mas somos brasileiros, os esperançosos mais pessimistas do planeta.


E que venha mais uma Copa, onde obviamente passaremos vergonha.

Mas seremos hexa!


Prof. Daniel Medeiros

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