top of page

Educação e Futuro

14 de set.
3 min de leitura

Saiu o resultado do PISA 2025. Trata-se de uma avaliação organizada pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) que investiga a condição do aprendizado de jovens de 15 anos em 91 países de alta, média e baixa renda, em Matemática, Ciências e Leitura.


Há anos o PISA tem sido a referência do que falta fazer ou do modelo a seguir em termos de políticas públicas para a Educação das futuras gerações. E o resultado deste ano mostrou que há algo de grave acontecendo no mundo Ocidental. Pois então vejamos, tomando o cuidado para não nos afogar em números. Os especialistas afirmam que 20 pontos acima ou abaixo da média no PISA significam um ano a mais ou a menos de aprendizado escolar.


Pois bem. A China, primeira colocada na classificação mundial, está 100 pontos acima da média da Europa. Em relação a nós, a diferença é de 150 pontos. Apesar disto, o Brasil aparece entre os países que mais avançaram nos últimos 20 anos nessa avaliação. A explicação é simples: o ponto de partida da nossa eficiência escolar foi o rés do chão. Pois mesmo com o avanço dos últimos 20 anos, 43,8% dos estudantes brasileiros ainda estão abaixo do nível mínimo de proficiência nas três disciplinas ao mesmo tempo, mais que o dobro da média da OCDE, que é de 19,7%.


Em Matemática, só 28% dos estudantes brasileiros alcançaram o mínimo pra se dizer que sabem algo da disciplina. Nossa nota geral em Matemática foi de 377 pontos. A da China, 612. No outro extremo, apenas 1,8% dos brasileiros tiveram alto desempenho em pelo menos uma das áreas, contra 11,9% na OCDE. Em Singapura, 90% dos estudantes estão acima da média da OCDE.


A surpresa foi que, desta vez, as notas europeias também tiveram um dia de Brasil. Queda de 28 pontos em Leitura em relação a 2015. Mais de um ano de aprendizagem que virou fumaça.


E os que especialistas dizem sobre nossa insistência na mediocridade e sobre esse descompasso de países ricos como a Alemanha, França, Suécia e Noruega? No nosso caso, séculos de descaso com a educação pública cruzam com uma pandemia desorganizadora da vida escolar por dois anos e com um mergulho de cabeça no mundo digital e na rolagem infinita de vídeos, posts e apostas virtuais.


O governo federal vai gastar bilhões de reais para tentar manter os jovens no Ensino Médio, com um programa chamado “pé-de-meia". Mas não há nenhuma garantia de que isso fará alguma diferença para o futuro deles ou do país.


No caso da Europa, uma geração que aprendeu precocemente a receber recompensas visuais a cada 8 segundos se viu diante da obrigação de ouvir aulas de longuíssimos 45 minutos, de focar em leituras cujos enredos adiam o prazer em incontáveis páginas antes de um desfecho satisfatório (isso quando não se trata de um texto russo ou de Kafka), o que causou neles algo próximo a um colapso de atenção e de retenção. As notas do PISA demonstram isso.


Vídeos de gatinhos ou de dancinhas do tipo "six-seven", repetitivas e contagiantes, vem provocando um desencaixe cognitivo e uma obliteração do interesse por questionamento e curiosidade em relação a como funciona o mundo e a sociedade, além de um distanciamento aparentemente sem volta das abstrações que permitem pensar as coisas por meio dos conceitos.


Já a Ásia, que tem políticas severas sobre uso de celular na infância e juventude, vai muito bem , obrigado: China, Singapura, Coreia, Japão, Hong Kong estão no topo da lista. Austrália e Nova Zelândia também foram muito bem.


O primeiro país da Europa, em sétimo no ranking geral, é a Estonia, que vem fazendo, desde os anos 90, um trabalho de desenvolvimento de uma Inteligência Artificial educacional que não dá respostas, mas estimula a busca por conhecimento por meio de questionamentos, seguindo a boa e velha máxima da Filosofia: não apenas saber, mas gostar do saber.


É fato que podemos sempre objetar que provas são falhas e que a Educação precisa ser pensada localmente, conjunturalmente, respeitando as diferenças culturais etc. Balela. "Houston, temos um problema.” E ele se chama “futuro".


Prof. Daniel Medeiros

Comentários


bottom of page